Sou gordo sim, com bullying ou sem

bruxa.jpgSou da geração dos Anos 80. Do E.T., Indiana Jones e Goonies. A gente era muito mais inocente e o mundo era muito mais simples. Não tínhamos o acesso a tecnologia de hoje, mas fomos a primeira geração do computador.

Independente disso, vivíamos uma sociedade sem amarras. Nossos filhos não eram pasteurizados numa comunicação que só se preocupa em não desagradar nenhum nicho que possa fazer barulho.

Quero deixar claro, que não sou a favor de discriminação, nem violência contra qualquer gênero, classe ou raça de ser-humano ou animal.

Mas como sei que vão me crucificar, sou contra bandeiras. Sou contra a bandeira do Politicamente Correto. Sou contra essa ditadura do que é certo ou errado.

O mundo está ficando muito chato. Quando digo que sou gordo é porque sou gordo, com todas as implicações que isso carrega. E passar a me chamar de obeso, porque gordo ofende, não me transforma de uma hora pra outra em uma pessoa diferente. Continuo sendo “gordo”. Ser gordo não é chato. Chato é palestra de Bullying.

E se vou a um Stand-Up Comedy e fazem uma piada de gordos, vou dar muita risada se a piada for engraçada e não vou rir se não for. Que mais ? Mais nada. Vou sair do show “continuando gordo”. Não vou me sentir explorado. Não vou me sentir ofendido. Assim, simples.

Não gosta. Não vá. Piadas engraçadas lidam com diferenças, com comportamentos e com culturas. Um dia o mundo vai entender que o chinês da piada é um estereótipo pra divertir. É isso. Não é seu amigo chinês. É o chinês da piada. Continuo gordo. E daí ?

Na última semana houve um atentado a cultura na exposição de quadros patrocinada pelo Santander. São quadros de artistas famosos, que retratam a sociedade da época, as crenças e anseios dos artistas.

O Nascimento de Vênus, de Boticelli, obra-prima do Renascimento, tem mulheres com seios a mostra. Mulheres tem seios. O Juízo Final e A Criação de Adão, de Michelangelo, tem homens nus. Homens tem pênis. Humanos fazem sexo. A gente, na década de 80, sabia disso. E olha que algumas dessas obras foram criadas no obscurantismo da Idade Média. Arte é a visão do artista e do mundo que ele está inserido. Você pode não gostar. Não pode proibir.

Do jeito que a coisa está, se Hollywood for filmar a Santa Ceia, terá um apóstolo negro, um índio, um oriental, um latino, etc. Hipocrisia total. Mas as cotas de artistas estarão supridas pra deleite das patrulhas do padrão pasteurizado de sociedade.

Assisti esse final de semana ao filme O Círculo, que poderia ter sido uma obra-prima de crítica, mas ao tentar não desagradar nenhum grupo de pensamentos diferentes, se limitou a representar de maneira fotocopiada as reuniões de lançamentos de produtos da Apple e mais nada. Todas as bandeiras estavam lá presentes. Inclusive o mais atual e queridinho de todos. O empoderamento da mulher.

Gente, sou super feliz de minha mulher ser a profissional que é e apoio todas as iniciativas dela, sejam quais forem. E ela sempre ganhou mais do que eu. Sou feliz por isso. Mas de novo, não existe bandeira. Se ela fosse o homem, mesma coisa. Precisamos ir além das bandeiras.

Pra finalizar, sou contra todas as bandeiras, inclusive as de gênero. Precisamos aprender a conviver com todas as diferenças. Mas todas mesmo. Se você se relaciona com homem ou mulher, papagaio, tartaruga ou camelo, problema seu. Eu sou heterossexual, e daí ? Você não tem nada com isso. Porque eu tenho que ter ? Precisamos é derrubar as bandeiras.

Sou contra duas pessoas de mesmo sexo se beijando num shopping, porque sou contra um homem e uma mulher se beijando no shopping também. Só um selinho, ok. Você não precisa mostrar pro mundo seu amor, como se isso fosse uma afronta ou uma libertação. Isso é problema seu. Você não tem que combater o mundo.

Precisamos começar logo a viver nossa vida de uma maneira plena. E plena significa entender que eu sou “gordo” e que a palavra que você usar pra identificar isso não irá mudar o fato que sou “gordo” e que plena significa que só quem tem a ver com minha diferença sou eu mesmo. E Viva a Diferença e Abaixo o Politicamente Correto e as Bandeiras quaisquer. Pode me chamar de Gordo, Rolha-de-Poço, Baleia. Isso não vai formar meu caráter, nem mudar minhas convicções. Nem me emagrecer…

E dá licença que estou indo pra casa no baú da Brasilia, me jogar no sofá, assistir Barrados no Baile, com uma Coca de 700ml e um pacotão de Ruffles.

Post Criado por Marcus Vinicius Sinhoreto

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